A seleção de Cabo Verde encerrou a sua primeira participação num Campeonato do Mundo de Futebol depois de uma campanha histórica, marcada pelo apuramento para a fase a eliminar, por três empates na fase de grupos e por uma exibição de grande nível frente à Argentina.
Os Tubarões Azuis foram eliminados nos 16 avos de final após perderem por 3-2 diante da seleção argentina, num encontro decidido apenas durante o prolongamento. Cabo Verde recuperou por duas vezes de uma situação de desvantagem e obrigou a campeã mundial a lutar até aos últimos minutos pela continuidade na competição.
Apesar da eliminação, a seleção orientada por Bubista saiu do torneio com uma imagem amplamente valorizada, demonstrando organização, competitividade e capacidade para enfrentar algumas das principais seleções do futebol mundial.
Na fase de grupos, Cabo Verde estreou-se com um empate sem golos frente à Espanha, seguindo-se um empate por 2-2 diante do Uruguai. Nesse encontro, Kevin Pina marcou o primeiro golo cabo-verdiano na história dos Campeonatos do Mundo, através de um remate de longa distância, enquanto Hélio Varela assinou o segundo golo dos Tubarões Azuis.
A seleção cabo-verdiana garantiu posteriormente o apuramento com um empate a zero frente à Arábia Saudita. Com três pontos, resultantes de três empates, Cabo Verde terminou o Grupo H no segundo lugar e avançou de forma invicta para os 16 avos de final, superando as expectativas criadas em torno da sua estreia na competição.
O percurso ganhou ainda maior dimensão pela forma como Cabo Verde enfrentou a Argentina. Os Tubarões Azuis discutiram o resultado em igualdade, recuperaram de duas desvantagens e só foram derrotados por um autogolo no segundo período do prolongamento. No final, os jogadores cabo-verdianos foram aplaudidos pelo público presente no estádio, num reconhecimento da resistência e da qualidade demonstradas durante o encontro.
Selo e moeda perpetuam participação histórica
A primeira presença de Cabo Verde num Campeonato do Mundo foi assinalada ainda antes do início da competição através de várias iniciativas institucionais e populares.
Os Correios de Cabo Verde lançaram uma emissão filatélica comemorativa composta por 80 mil exemplares, destinada ao mercado nacional, à diáspora e aos colecionadores internacionais. O selo foi disponibilizado em versões de 40 e 60 escudos, destinadas, respetivamente, ao correio nacional e internacional.
Concebida pelo artista plástico Tutu Sousa, a composição procurou representar a força, a determinação e a ambição dos cabo-verdianos, incluindo referências às ilhas do arquipélago, à diáspora e ao Tubarão Azul enquanto símbolo identitário da seleção nacional.
O Governo autorizou também o Banco de Cabo Verde a emitir uma moeda comemorativa com o valor facial de 200 escudos, numa edição limitada a 24.250 unidades. A moeda foi criada para homenagear a qualificação inédita e perpetuar a participação dos Tubarões Azuis no Mundial de 2026.
A estreia frente à Espanha foi igualmente acompanhada em zonas de convívio instaladas em vários pontos do país, num dia marcado pela mobilização popular e pela união dos cabo-verdianos no arquipélago e na diáspora.
Mais do que uma estreia, a participação no Mundial transformou-se num momento de afirmação internacional de Cabo Verde. O apuramento para a fase a eliminar e a capacidade de competir frente a Espanha, Uruguai e Argentina colocaram o país no mapa do futebol mundial e deixaram uma referência para as próximas gerações.
Cabo Verde saiu da competição sem qualquer derrota no tempo regulamentar e com um percurso que ultrapassou claramente o objetivo de apenas participar. Os Tubarões Azuis despediram-se do Mundial de cabeça erguida, levando consigo o reconhecimento internacional e o orgulho de todo um país.
RFI

