Presidente da Direção
Estimados Membros da AICEP e caros Parceiros,
É com enorme honra, profundo sentido de responsabilidade e verdadeira motivação que, em representação dos CTT Correios de Portugal, assumi, na AG de 27 de abril, em Maputo, a Presidência da Direção da AICEP.
Faço-o consciente do legado que recebo, do trabalho notável desenvolvido ao longo de mais de três décadas e da relevância crescente desta Associação num mundo cada vez mais conectado, digital e interdependente.
A AICEP nasceu visionária e continua a demonstrar essa capacidade de antecipação ao afirmar, na AG de 2025 em Salvador da Bahia, de forma clara, a economia digital, a inteligência artificial, a inovação tecnológica e o ecossistema digital como prioridades centrais da sua estratégia. É essa capacidade de adaptação e reinvenção que devemos preservar e reforçar.
Vivemos uma mudança de época. A inteligência artificial, a automação, os dados, a conectividade global, a computação em nuvem, a cibersegurança e as plataformas digitais estão a redefinir a economia, os modelos de negócio, as relações sociais e até o próprio conceito de soberania. Hoje, as comunicações são infraestrutura crítica do desenvolvimento, instrumento de competitividade, condição de inclusão e fator central de modernização do Estado.
Neste contexto, o espaço lusófono tem uma oportunidade extraordinária. Une-nos uma língua comum, e essa língua é hoje um dos nossos maiores ativos estratégicos. A língua portuguesa não é apenas património cultural; é também espaço económico, espaço de conhecimento e espaço de circulação de ideias, inovação, investimento e talento.
Num mundo marcado pela fragmentação e pela competição tecnológica, termos uma língua comum constitui uma vantagem competitiva rara. Temos de garantir que a língua portuguesa ocupa plenamente o seu espaço na economia digital, na inteligência artificial, nos conteúdos, na educação tecnológica, na investigação científica e nos serviços públicos digitais. Porque quem não ocupa espaço no digital perde relevância no futuro.
Representamos uma comunidade global com mercados em crescimento, juventude, criatividade, talento e capacidade empreendedora. Mas enfrentamos também desafios profundos: persistem assimetrias no acesso digital, desafios regulatórios e de investimento, necessidades urgentes de capacitação e a exigência de reforçar a resiliência tecnológica, a cibersegurança e a soberania digital dos nossos países.
É precisamente aqui que a AICEP pode e deve assumir um papel ainda mais relevante. A sua missão ganha hoje uma nova dimensão: queremos afirmar a AICEP não apenas como uma associação setorial, mas como uma verdadeira plataforma estratégica de convergência digital da lusofonia, capaz de unir operadores, reguladores, empresas tecnológicas, universidades, startups, produtores de conteúdos e decisores públicos.
Hoje, já não existem fronteiras rígidas entre correios, telecomunicações, conteúdos, serviços digitais e plataformas tecnológicas. Tudo converge. E essa convergência exige novas formas de cooperação: acelerar competências digitais, partilhar boas práticas regulatórias, promover interoperabilidade, estimular investimento em infraestruturas resilientes e criar condições para que a língua portuguesa seja também uma língua relevante da economia digital e da inteligência artificial.
Essa deve ser uma ambição coletiva: uma lusofonia mais conectada, mais inovadora, mais competitiva, mais sustentável e mais preparada para liderar oportunidades num mundo digital. Mas queremos também uma transformação digital humanista, em que a inovação melhora a vida das pessoas, reduz desigualdades, gera oportunidades e fortalece as nossas sociedades, sem deixar ninguém para trás.
A AICEP tem hoje todas as condições para reforçar o seu posicionamento no mundo. Podemos fortalecer o nosso papel na formação e capacitação tecnológica, dinamizar projetos conjuntos, promover inovação colaborativa, reforçar a cooperação empresarial lusófona e afirmar a Associação como uma referência internacional no diálogo sobre comunicações, digitalização e cooperação tecnológica entre países de língua portuguesa.
Queremos igualmente uma Associação mais próxima das novas gerações, mais aberta às startups, aos centros de investigação e aos novos atores do ecossistema digital. O futuro exige velocidade, visão estratégica e confiança: confiança entre parceiros, entre países e entre instituições.
Enquanto Presidente da Direção da AICEP, assumo esse compromisso de diálogo, cooperação, modernização e inovação. E de confiança na nossa capacidade de, no âmbito da lusofonia, e enquanto Associação, marcarmos a agenda e contribuirmos para a construção de um projeto comum de futuro.
Acredito profundamente que o melhor da AICEP ainda está por concretizar e que a lusofonia pode afirmar-se como uma verdadeira comunidade global de inovação, conectividade e desenvolvimento sustentável. Temos história, temos dimensão, temos talento e temos ambição. Agora é tempo de transformar esse potencial em ação.
Muito obrigado.