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Mundo das ComunicaçõesMoçambique combate a criminalidade: operadores da rede móvel vão ter linhas de emergência a partir de 2026

Moçambique combate a criminalidade: operadores da rede móvel vão ter linhas de emergência a partir de 2026

As três operadoras de rede móvel que actualmente operam em Moçambique vão fornecer, a partir de Janeiro de 2026, linhas de emergência sem custos para auxiliar no processo de prevenção e combate ao crime, sinistralidade rodoviária e outros problemas sociais.

O projecto insere-se no âmbito da implementação do Sistema de Gestão da Segurança Pública do Ministério do Interior (SIGESP) e resulta de um memorando de entendimento assinado em Maputo entre o Governo e as operadoras Tmcel, Vodacom e Movitel.

“As linhas vão permitir que, em situações de crise, os cidadãos tenham acesso rápido, eficiente, sem custos e sem barreiras, aos serviços de emergência, independentemente da sua localização ou operadora de telefonia que usem”, referiu o secretário permanente do Ministério do Interior, Victor Canhemba Júnior, citado numa nota.

Segundo o responsável, as linhas deverão contribuir significativamente para a mitigação dos impactos nefastos dos acidentes, violência ou catástrofe naturais em Moçambique. “Em situações de emergência, cada segundo conta, seja um acidente, uma ocorrência de violência ou uma catástrofe natural. As chamadas são o primeiro mecanismo de conexão entre o cidadão em perigo e as instituições responsáveis por socorrê-lo.”

A Tmcel, operadora estatal, tem o serviço de carteira móvel mKesh, enquanto a Vodacom tem o M-Pesa e a Movitel tem o e-Mola

Recentemente, o Ministério do Interior fez saber que registou, desde 2011 a Março deste ano, pelo menos, 205 crimes de raptos que originaram 302 detidos, salientando que persistem ainda desafios para travar os fenómenos. Dados do Governo indicam que 2013 foi o ano com maior número de crimes de raptos, com 37 casos registados, seguido de 2014, com 20; 2015,  com 17; 2020, com 16 e 2016 e 2024, com 15 casos cada.

Desde 2011, uma onda de raptos afecta Moçambique e as vítimas são, sobretudo, empresários e seus familiares, principalmente pessoas de ascendência asiática, um grupo que domina o comércio nos centros urbanos das capitais provinciais no País.

Mais de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o País por receio, segundo números divulgados em Julho do ano passado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

As três operadoras de telefonia móvel no País enfrentaram prejuízos significativos no ano passado devido a fraudes em telecomunicações, que terão totalizado 63 milhões de meticais (985 mil dólares). As províncias mais afectadas foram Nampula, Maputo Cidade e Maputo Província que, em conjunto, concentraram 87% dos casos registados.

Entre os esquemas mais frequentes encontra-se a utilização de SIM Boxes, dispositivos que permitem disfarçar chamadas internacionais como se fossem nacionais, reduzindo os custos para o utilizador final, mas prejudicando gravemente as operadoras. Outro tipo de crime em ascensão é o chamado “SIM swap”, em que os criminosos substituem fraudulosamente o cartão SIM do utilizador, obtendo assim acesso aos seus dados e contas bancárias.

O relatório revela ainda que mais de 200 mil cartões SIM foram registados de forma fraudulenta, provocando perdas adicionais de mais de seis milhões de meticais às operadoras.

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